Sinais e Sintomas

Dor

É o sintoma mais comum a nível mamário. A grande maioria das vezes corresponde a patologia benigna, sendo, no entanto, causa de ansiedade.

Dor cíclica – Aparece cerca de 7 a 14 dias antes do período menstrual, geralmente é bilateral, nos quadrantes mais externos da mama e desaparece com o aparecimento do período menstrual. Tem como causa directa as alterações hormonais mensais normais das mulheres pré-menopáusicas. A grande maioria das vezes é de intensidade suportável, havendo casos de intensidade mais forte que necessitam de terapêutica específica. Pode ser eventualmente acompanhada de nodularidade (caroços). Na grande maioria dos casos corresponde a alterações benignas.

Dor não cíclica – Como o nome indica não apresenta relação com os períodos menstruais, sendo de aparecimento anárquico. Não desaparece com o aparecimento do período menstrual. As suas causas são extremamente variadas, desde patologia não mamária (dores cardíacas, esofágicas, vesiculares, articulares, etc.) até determinadas alterações localizadas da mama (cicatrizes prévias, zonas de adenose, etc.). Pode ser acompanhada de nódulos. Raramente pode corresponder a tumores, devendo, no entanto, estes serem excluídos, através da observação, bem como da realização de eventual mamografia e ecografia.

Nódulo (Caroço)

A descoberta de um nódulo mamário é sempre acompanhada de ansiedade.

De forma a minorar esta ansiedade faça sempre o seu auto-exame após o período menstrual, encontrando assim menos “nódulos”.

De qualquer modo tenha presente que cerca de 80% a 90% dos nódulos são benignos.

Se encontrou um nódulo ou uma zona mais endurecida :

Verifique a sua correcta localização. Palpe a zona homóloga do outro peito e procure por igual sensação. Se este for o caso, o mais normal é que se trate de alterações hormonais, provocando esta nodularidade.

Se este nódulo diminui ou se torna mais mole após o período menstrual, provavelmente corresponderá a alterações benignas.

Se, pelo contrário, o nódulo aumenta de volume ou endurece, deverá contactar o seu Senologista.

Um nódulo mamário solitário, duro, que não escorrega sob os seus dedos, encontrando-se fixado aos tecidos vizinhos, deve ser prontamente investigado.

Inflamação

Os sinais de inflamação da mama são principalmente a presença de calor, vermelhidão e dor. Também pode existir febre associada.

A causa mais frequente é a infecção bacteriana da mama, que é mais comum em mulheres a amamentar, principalmente nas seis primeiras semanas de amamentação (mastite de lactação). Tem por origem a entrada de bactérias pelos poros do mamilo, que vão infectar secundariamente o interior da mama. O tratamento passa pela toma oral de antibióticos, podendo, nalguns casos, ser necessária drenagem cirúrgica.

Existe uma outra forma de mastite, a chamada mastite periductal, que aparece fora da amamentação e que se caracteriza por inflamação da zona periareolar. Esta entidade aparece em 90% dos casos, em mulheres fumadoras. O seu tratamento passa também pela toma oral de antibióticos, por vezes por períodos mais longos que na mastite de lactação. Uma boa parte das vezes é uma doença recidivante, tendo também tendência para ficar crónica e, por vezes, desenvolver fístulas (orifícios periareolares por onde sai cronicamente pus), cujo tratamento será a remoção cirúrgica dos ductos infectados, bem como a remoção da fístula.

Existe ainda uma forma rara de cancro da mama – o carcinoma inflamatório – que se pode manifestar por inflamação da mama. Habitualmente existe associação a nódulo palpável, acompanhado de dor, situação esta que não é muito comum nos cancros da mama. A existência desta situação deve ser plenamente investigada.

Finalmente podem ainda existir fenómenos inflamatórios esporádicos, geralmente na fase pré-menstrual, associados a alterações hormonais, bem como ao crescimento de eventuais quistos pré-existentes, fenómenos estes, habitualmente acompanhados de dor. Estas situações são auto-limitadas no tempo, devendo ser investigadas junto dum Senologista, se se mantiverem persistentes.

Um processo inflamatório/infeccioso da mama, fora dos períodos de amamentação, deve ser plenamente investigado com observação e realização de meios auxiliares de diagnóstico.

Prurido

O prurido mamilar é um sintoma pouco comum, ocorrendo, na grande maioria dos casos em situações benignas.

Podemos encontrá-lo associado a descamação do mamilo e aréola nos chamados eczemas mamilares, provocados por contacto com a roupa ou produtos de higiene pessoal. Numa boa parte dos casos é de aparecimento bilateral. Podem existir secreção e rubor mamilar associados. Estas situações resolvem facilmente com a aplicação de pomadas.

Porém existe uma entidade, felizmente rara – a Doença de Paget, que corresponde a uma forma de doença maligna da aréola e mamilo, com sinais semelhantes. Esta forma de tumor maligno da aréola e mamilo, habitualmente tem bom prognóstico e é extremamente raro antes dos 40 anos, sendo a sua faixa etária “preferencial” os 40-50 anos. Na esmagadora maioria dos casos é unilateral.

Estas duas entidades, em fase inicial, não são distinguíveis a “olho nu”, pelo que se pode necessitar de uma biopsia com anestesia local, para estabelecer o correcto diagnóstico. A mamografia deve fazer parte da avaliação.

Corrimento

O corrimento mamilar é um sintoma relativamente frequente. Geralmente a sua presença é detectada por uma mancha no soutien ou por pequenas crostas secas no mamilo. A descoberta deste novo achado cria habitualmente ansiedade pelo medo do cancro. Felizmente, a grande maioria dos corrimentos mamilares nada tem a ver com cancro.

Corrimento avermelhado/acastanhado – A sua cor é devida à presença de sangue vivo, ou “velho” nos corrimentos acastanhados. Geralmente só aparecem num dos mamilos. Podem corresponder a alterações “normais” de “envelhecimento” dos canais, a pequenos tumores benignos do interior dos canais (papilomas) ou a eventual tumor maligno. Podem ainda resultar de eventual traumatismo da mama. Devem ser investigados plenamente, devendo ser efectuada mamografia e ecografia mamária e eventual Galactografia (mamografia com contraste para visualização dos canais).

Corrimento transparente/translúcido – Pode apresentar-se de diversas cores (amarelo, esverdeado, preto, incolor, etc.). Na grande maioria das situações corresponde ao “envelhecimento” dos canais, sendo geralmente bilateral ou por diversos poros num único mamilo. Em situações mais raras o corrimento incolor pode corresponder a eventual tumor pela que a sua presença deve ser excluída, através da realização de exames.

Corrimento leitoso – (Galactorreia) Geralmente apresenta-se em ambos os mamilos, proveniente de diversos poros. Corresponde não a uma alteração da mama propriamente dita, mas sim à resposta da mama a um estímulo hormonal. Tendo isto em linha de conta devem ser determinados os níveis da hormona responsável pela produção de leite (prolactina) em amostra sanguínea. Uma vez estes aumentados (é desejável que sejam efectuadas no mínimo 3 colheitas de sangue espaçadas de 20-30 minutos entre si), devem ser desencadeados estudos de modo a perceber a razão deste aumento, estudos esses que irão incluir radiografias de crâneo e eventualmente um T.A.C. duma região do cérebro chamada sela turca, no sentido de avaliar de eventuais alterações.

Algumas medicações, principalmente alguns anti-hipertensores, bem como medicação psiquiátrica, podem originar corrimentos desta natureza, que habitualmente desaparecem com a supressão ou mudança da medicação.

Este corrimento pode ainda acontecer no seguimento de uma amamentação já parada, bem como por alturas da primeira menstruação e da menopausa. O stress também parece ser uma causa a ter em conta.

Uma boa parte deste tipo de corrimento é mantido e perpetuado pela própria mulher ao efectuar a aspersão da mama, no sentido de confirmar a presença do líquido. Deve, pois, ser parada a estimulação da mama com manobras de aspersão, uma vez que estas estimulam mais produção de leite (funcionam como a sucção do bébé).

Qualquer mulher, com idade superior a 35 anos, que apresente corrimento mamilar deve efectuar mamografia, bem como ecografia mamária. Nalguns casos o seu Senologista poderá requisitar uma Galactografia (Mamografia com contraste para avaliação dos canais por onde sai o corrimento) .

Os corrimentos uniporo, unilaterais, geralmente são de maior importância clínica que os multiporo ou bilaterais.

Os corrimentos leitosos, transparentes, vermelhos e acastanhados devem ser estudados de forma mais intensiva.