O que é ?

Ao longo da nossa vida as células que constituem os nossos tecidos, sob a influência de vários factores, formam-se, crescem e especializam-se nas suas várias funções. Desta maneira de uma única célula não diferenciada se produzem outras, altamente diferenciadas para desempenhar o seu papel em cada tecido que constituem. Os mecanismos que controlam esta contínua regeneração são múltiplos e muito precisos. Quando se detectam erros ao nível celular, ou quando o ciclo vital (útil) das nossas células acaba, os próprios mecanismos de controlo do nosso organismo respondem com a destruição destas células. Quando estes mecanismos falham, as células não corretamente funcionantes tornam-se independentes e continuam a crescer numa maneira descontrolada. Este é o mecanismo base do cancro, pequenos erros que escapam ao controlo de qualidade, tornando estas células independentes com única função a sua sobrevivência e multiplicação apesar das tentativas do nosso corpo de controlá-las. Quanto mais cedo no desenvolvimento de cada célula acontecem estes erros, menos diferenciada esta célula será e mais agressivo será o cancro que irá provocar.

As vezes estes erros encontram-se no nosso código genético e quando passa de geração a geração temos o cancro hereditário.

Tipos de Cancro da Mama

Existem várias formas de cancro da mama.

O cancro da mama que se desenvolve no sistema ductal-lobular (unidades funcionais da glândula) chama-se carcinoma enquanto o cancro que se desenvolve no estroma (tecido de suporte) se chama sarcoma.

No caso dos carcinomas podemos encontrar tumores que se desenvolvem ao nível dos ductos (Carcinoma Ductal) e outros que se desenvolvem ao nível dos lóbulos (Carcinoma lobular).

Naqueles casos que o tumor fica confinado nos próprios ductos e não tem capacidade de penetrar a membrana basal do próprio ducto, infiltrar outros tecidos e mais tardiamente órgãos (metástases) falamos do Carcinoma Ductal in-situ, enquanto os cancros que podem ultrapassar esta barreira e passar ao resto do organismo são as formas de Carcinoma Invasivo (ductal ou lobular) que podem dar metástases.

Carcinoma Ductal In-situ

Tal como as células normais do nosso organismo, as células que escapam aos mecanismos de controlo, crescem em várias etapas. Iniciam o seu desenvolvimento como células normais que adquirem a capacidade de se multiplicar excessivamente. Nesta fase, chamada hiperplasia, as células podem ser transformadas em malignas (cancro) não tendo ainda capacidade de sair dos limites dos ductos ou lóbulos. Nestes casos temos o Carcinoma In-Situ.

O Carcinoma in-situ habitualmente não forma nódulos (caroços), mas pode ser detectado em mamografias. As células do carcinoma in-situ, quando morrem depositam detritos e na mamografia aparecem como microcalcificações.

O Carcinoma Ductal In-situ (ou Intra-ducto) representa o 10-15% do cancro da mama. A sua característica é que embora ainda nesta fase não tenha capacidade de metastatização tem o potencial de se transformar em cancro invasivo.

O seu diagnóstico faz-se com biópsia (várias técnicas) onde se colhe uma amostra de tecido que a seguir é analisada pelo anatomopatologista. Existem várias características do tumor e várias fórmulas que podem calcular o risco que tem para se transformar em cancro invasivo mas em média um carcinoma in-situ de alto-grau transforma-se em carcinoma invasivo em 2 a 5 anos enquanto a forma de baixo-grau pode levar até 20 anos.

Carcinoma Lobular In-situ

Esta forma desenvolve-se ao nível dos lóbulos. Não se trata de uma forma pré-cancerígena mas de um alto factor de risco, o que significa que o diagnostico de Carcinoma Lobular In-situ requer uma vigilância apertada.

Cancro Invasivo

Quando as células malignas ultrapassam os limites e invadem os tecidos circundantes e a seguir se podem espalhar ao resto do organismo em forma de metástases. Estamos numa fase onde habitualmente se palpa um nódulo.

Os tipos principais de carcinoma invasivo são o ductal e o lobular

Carcinoma Ductal Invasivo

É a forma de cancro da mama mais comum e constitui cerca o 65%. Trata-se do cancro que se desenvolve no sistema ductal e a seguir infiltra os tecidos circundantes.

Carcinoma Lobular Invasivo

Trata-se do cancro que se desenvolve no sistema lobular e a seguir infiltra os tecidos circundantes, representa o 10-15% do cancro da mama.

É uma forma de cancro com comportamento diferente ao do Carcinoma Ductal porque pode ter mais do que uma localização (estar presente em mais do que um foco) e não é muito bem visível na mamografia.

Doença de Paget do Mamilo

A doença de Paget representa 1% de todos os cancros da mama e encontra-se localizado ao nível da pele do mamilo e da aréola. Cresce lentamente e pode estar presente ao início como um nódulo atrás do mamilo. Apresenta-se como uma descamação, eczema, ao nível do complexo areolo-mamilar. O seu prognóstico é melhor do que o do cancro invasivo. È importante ser detectado. Cada lesão do mamilo que dura mais do que 4 semanas devia ser avaliada e eventualmente biopsada.